domingo, abril 12, 2009
Traça total
terça-feira, abril 07, 2009
Açougue, livraria, boteco e afins
Mas, o mais interessante é que ele faz empréstimos dos exemplares da loja para quem se interessar. Mais interessante ainda, é que o devaneio não parou por aí, não. Simplesmente, o sujeito implantou um projeto hiper mega idealista, de colocar estantes de livros em todas as paradas de ônibus da Asa Norte (bairro do açougue) para quem quiser PEGAR EMPRESTADO e DEVOLVER (???) ou mesmo dar uma lida enquanto aguarda a condução para o seu destino. O melhor é que, segundo boatos, os livros retornam às prateleiras, sim, senhor(pelo menos a maioria). Se vc der uma volta de Grande Circular pela Asa, verá várias estantes ao longo da w-3 norte, algumas repletas de livros, outra nem tanto. Há também o blog de Projetos Culturais T-Bone, onde os escritores convidados registram seus pensamentos.
Brasília às vezes me surpreende. E eu que nem como carne...
sexta-feira, abril 03, 2009
G-20
quinta-feira, abril 02, 2009
Sem graça
Às vezes penso em como fui parar na área de revisão ortográfica, apesar de ter gostado bastante dos meus cursos de graduação. Visito blogs dedicados ao tema e tudo me soa tão arrogante, artificial...Deveria ser o contrário, já que a língua é algo tão orgânico e natural. Nunca encontrei nenhum revisor engraçado. Que pena, o senso de humor é o que nos difere dos outros animais... (e mucho me agrada).
domingo, março 29, 2009
Jornada internacional de ação contra o capitalismo e a guerra
Entre os dias 28 de março e 4 de abril, mulheres e homens do mundo inteiro estarão nas ruas para protestar contra o capitalismo e a guerra e dizer que não vão pagar pela crise. Convocada pela Assembléia dos Movimentos Sociais, que se reuniu durante o último FSM em Belém. Três momentos marcam esta semana:
*28 de março: mobilizações em torno à reunião do Grupo dos 20 (ou G-20), composto por representantes dos bancos centrais e governos de 20 países que representam dois terços do comércio e da população mundial e mais de 90% do produto mundial bruto, além do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O G-20 se reunirá em Londres (Reino Unido), no início de abril.
*30 de março: dia de mobilização contra a guerra e a crise e de solidariedade ao povo palestino. Esta data marca o Dia da Terra Palestina e relembra um dos massacres perpetrados por Israel contra os palestinos (na Galilea, em 1976). Foi escolhida para impulsionar uma campanha de boicotes, não-investimentos e sanções (BDS) contra Israel.
*4 de abril: dia que marca o aniversário de 60 anos da Otan – Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança de cooperação militar composta por paises da Europa e pelos Estados Unidos. A Otan se reunirá nos dias 3 e 4 de abril em Baden-Baden e Kehl, na Alemanha, e Estrasburgo, na França.
Na Europa, os movimentos se concentrarão principalmente nas ações em Londres e Estrasburgo. Já há diversas ações de rua, como passeatas, panfletagens e bicicletadas, marcadas nos seguintes países: Alemanha, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Catalunha, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda (Países Baixos), Índia, Itália, Noruega, País Basco, Paquistão, Québec, Quênia e Reino Unido (na Escócia e Inglaterra).
Ao longo dessa semana e principalmente nessas datas, os movimentos dirão que, para enfrentar as crises que hoje vivemos (alimentar, financeira, econômica, climática, energética, migratória), é necessário ir à raiz dos problemas e construir uma alternativa ao sistema capitalista e à dominação patriarcal.
Frente às falsas soluções apresentadas por empresas, bancos e governos para sair da crise como demissões, privatização de serviços públicos, recursos naturais e energéticos, que apenas socializam as perdas, os movimentos se posicionarão exigindo medidas urgentes como:
* Redução da jornada de trabalho sem redução do salário
* Medidas para garantir a soberania alimentar e energética
* Colocar um fim às guerras, a retirada as tropas de ocupação e o desmantelamento de bases militares estrangeiras
* Reconhecer a soberania e a autonomia dos povos, garantindo o direito à autodeterminação
* Garantir o direito à terra, território, trabalho, educação e saúde para todas e todos
* Democratização dos meios de comunicação e de conhecimento
Para ler a íntegra da Declaração da Assembléia dos Movimentos Sociais, realizada no FSM 2009 em Belém, clique no link:
http://www.fsm2009amazonia.
Para saber mais sobre a campanha BDS (Boicotes, Não-investimento e Sanções), visite o site: http://www.bdsmovement.net/
Veja a seguir algumas das ações já programadas:
ALEMANHA
3 de abril: manifestações e bloqueios estão previstas na cidade de Baden-Baden, uma das portas de entrada dos chefes de estados e militares que participarão das cerimônias de aniversário da Otan, em Estrasburgo. Mais informações: http://gipfelsoli.org/Home/
AUSTRALIA
30 de março: em Melbourne, a Coalizão de grupos de apoio à Palestina lança a campanha “The Sack Connex, Boycott Israel”.
BÉLGICA
28 de março: em Bruxelas, ação em torno à crise financeira e à questão Palestina sob o lema “Palestina ocupada, Dexia implicada”. Também na cidade, entre 13h30 e 16h30, ação simbólica no centro, com teatro de rua : «Quem pagará pela crise?» Também dentro das mobilizações sobre a crise e a guerra, o maior sindicato belga (FGTB) lançou uma campanha com o tema “O capitalismo prejudica seriamente a saúde”. Mais informações: http://www.contre-attaque.be/, somente em francês.
BRASIL
30 de março: em São Paulo, manifestação nacional convocado por um conjunto de movimentos sociais em aliança com todas as centrais sindicais do país afirmará: “trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise!”. Ela começará na av. Paulista e seguirá para o centro da cidade. O ato será acompanhado de ações e demonstrações em cidades de todo o país. Veja panfleto no link: http://www.cut.org.br/
Demonstrações contra a ratificação do tratado Mercosur-Israel e de apoio à campanha de boicote, não-investimentos e sanções (BDS) contra Israel também acontecerão no centro da cidade e são organizadas pela Frente de Solidariedade ao Povo Palestino.
CANADÁ E QUÉBEC
28 de março: em Montreal, demonstração pacífica em frente ao Complexe Guy-Favreau às 13h30 para dizer não ao G-20, considerado um fórum ilegítimo para resolver a crise que ele mesmo a criou.
30 de março: em Toronto, conferência com o tema “Resistência à guerra de Gaza a Kandahar”.
30 de março: em Québec, plantio simbólico de uma oliveira em frente ao consulado de Israel; exposição de fotos e testemunho sobre situação de Gaza.
CATALUNHA, ESTADO ESPANHOL, PAÍS BASCO
28 de março: manifestaciones contra la crisis y el G-20 e em solidariedade aos palestinos acontecerán em Albacete, Almería, Barcelona, Bilbao, Cádiz, Córdoba, Alicante, Elche, Madrid, Murcia, Pontevedra, Tarragona e Valencia. Ver agenda em: http://www.nodo50.org/?page=
ESTADOS UNIDOS
Projeções de filme, discussões sobre ações de BDS, debate com delegações recém retornadas de Gaza e sobre as conexões entre os muros na Palestina e no México acontecem nos dias 29 de março, em Santa Cruz, e no dia 30, em San Diego e Los Angeles, na Califórnia. Em Nova York, o Comitê de Boicote a Israel lançará uma ampla campanha de boicote à empresa Motorola no dia 30.
FRANÇA
28 de março: em Paris, manifestação convocada por uma ampla coalizão de associações, movimentos, sindicatos e organizações políticas saíra da Place de l’Opera, às 14h. Atividades também estão programadas em outras 30 cidades. Ver lista completa em: http://www.stop-g20.org/ Nessa mesma data, diversas atividades em solidariedade à palestina, como marchas, projeção de filmes e conferência, acontecerão em Paris e Lille, Le Mans, St Brieuc e St Denis, organizadas pela Association France Palestine Solidarité (AFPS).
No dia 4 de abril, sob o lema « Não à guerra ! Não à Otan! », milhares de pessoas de toda a Europa se reunião em Estrasburgo onde acontecerão ações de diversos tipos, como oficinas, panfletagens de informação à população, bloqueios de ruas, reuniões e atos de desobediência civil para pedir o fim da militarização e da Otan. Uma grande manifestação está marcada para as 13 horas. Também haverá um acampamento alternativo. Mais informações (somente em francês): http://sommet-otan-2009.
GRÉCIA
2 de abril: em Creta, protestos em apoio ao boicote contra Israel nos esportes durante a partida de futebol entre Grécia e Israel.
HOLANDA (PAÍSES BAIXOS)
28 a 31 de março: ciclistas reivindicarão a suspensão do acordo de associação econômica entre a União Européia e Israel com uma bicicletada que sairá da Corte Internacional de Justiça, em Haia (Holanda), no dia 28, com chegada programada para o dia 31 no Parlamento Europeu, em Bruxelas, onde entregarão sua petição aos deputados europeus. Organização: The Peace Cycle.
INDIA
30 de março: em Delhi, exposições, poesia e filme celebrarão o Dia da Terra Palestina.
ITÁLIA
28 de março: grande manifestação com sindicatos de base acontece às 14h30, em Roma, sob o lema “Loro la crisi, noi la soluzione” (A crise é deles, nós temos as soluções), organizada pelo Cobas. Manifestações pacíficas em solidariedade à Palestina também acontecerão em vários shopping centers em Milão, Turim, Pisa, Bolonha, Roma e Nápoles, organizadas pelo Forum Palestina.
4 de abril: passeata convocada pela CGIL e outras organizações e redes percorrerá as ruas de Roma em direção ao Circo Massimo.
NORUEGA
30 de março: em Kristiansand e Oslo acontecerão debates e oficinas em torno à campanha de boicote, não-investimento e sanções (BDS) como forma de pressionar Israel. Em algumas vizinhanças de Oslo, ações porta a porta orientarão habitantes sobre a campanha, que produtos boicotar e como se envolver. As manifestações terminarão com um protesto em frente à embaixada israelense em Oslo, organizada pelo Comitê Palestino.
PAQUISTÃO
Em Karachi, acontece no dia 28 de março uma conferência sobre a situação palestina. No dia 2 de abril, manifestações contra o G-20 tomam as ruas da cidade.
QUÊNIA
28 de março: a Marcha Mundial das Mulheres participará de ações no dia de apoio às mulheres artistas, afirmando que as mulheres não pagarão pela crise. Acompanhadas de uma batucada feminista, elas desenvolverão suas ações em torno ao trabalho das mulheres, bens comuns, segurança alimentar, violência doméstica e paz.
REINO UNIDO
28 de março a 4 de abril: Londres receberá participantes de toda Europa para as manifestações que acontecem nos dias 28 de março, contra o sistema capitalista e a crise econômica, e no dia 2 de abril, contra a guerra e a Otan. Ações relâmpagos, reuniões e debates aconteceram ao longo de toda a semana, bem como um acampamento no centro de Londres. Mais informações: www.putpeoplefirst.org.uk
Em Glasgow e Edinburgo, na Escócia, boicotes a supermercados acontecem nos dias 29 e 30 de março em solidariedade à Palestina, assim como chamadas telefônicas em massa às grandes cadeias de supermercados para reclamar de produtos israelenses vendidos em todo o país.
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FMI
Lula: Brasil viveu "inferno" e "humilhação" com o FMI
Sáb, 28 Mar, 06h45O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "inferno" e "humilhação" o período em que o Brasil recebia visitas regulares de executivos do Fundo Monetário Internacional (FMI) com o objetivo de avaliar a evolução da economia brasileira e o cumprimento de acordos firmados pelo País com a instituição. O desabafo foi feito neste sábado, durante seu discurso no encerramento da Cúpula dos Países de Governança Progressista, realizada no Chile. "Diziam que tínhamos de fazer ajuste fiscal, contenção de gastos... era um inferno", afirmou. "A gente via descendo do avião, no aeroporto, mulheres e homens do FMI dando palpites sobre o que tínhamos de fazer. Aquilo era uma humilhação", declarou, arrancando aplausos enfáticos dos presentes à solenidade.
Lula referia-se ao longo período que ficou conhecido como a crise da dívida externa, que atingiu a América Latina no começo dos anos 80 e que teve seus momentos mais tensos com as moratórias do México (1982) e do próprio Brasil (1987). Antes da atual crise financeira global, disse o presidente, "o FMI vivia dando palpites sobre as economias do Brasil e de outros países da América do Sul".
Lula, no entanto, também acusou governos anteriores de se submeterem ao FMI porque "não se respeitavam". "Talvez a insuficiência não fosse do próprio FMI, mas fosse insuficiência de nossos governantes, que não se respeitavam. E se eles não se respeitavam... ninguém respeita quem não se respeita."
Neste momento, disse ainda o presidente, o que o Brasil quer na reunião do G-20 é colaborar e que "os países ricos se normalizem internamente e restabeleçam o crédito." "Nós não estamos pedindo nada, não estamos chorando. Estamos pedindo apenas para normalizar a economia mundial."
Agência Estado
De volta
quinta-feira, setembro 20, 2007
Qnto tempoooooooo
Nossa, gente, qnto tempo não passo por aqui, né?... Bom, mas, quem me conhece sabe o grande motivo do sumiço: MARTIN, o pimpolho que acabou de chegar ao mundo mama de duas em duas horas!!!!!!!!!!! (risos). Aos poucos retomo minha vida: estudos (tá difícil pra caramba arranjar tempo!), hábitos...enfim, tô tendo de conciliar uma série de coisas que jamais imaginei e que no momento são imprescindíveis. Bom, vou dando uma olhada no mundo pra ver o que temos de relevante, e em breve voltarei... Até mais!!!!quarta-feira, maio 16, 2007
Chegada
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Alerta sobre a Amazônia
Alerta! Amazônia, terra de estrangeiro (06/02/2007)
Autor: Rafael Soares
segunda-feira, janeiro 15, 2007
segunda-feira, novembro 20, 2006
quinta-feira, outubro 12, 2006
Onde estou eu?
Sinto nos menores detalhes, que outros julgariam insanidade, as diferenças e as semelhanças.
Cruel, talvez. Sem perceber, desenho, pinto breves retratos internos difíceis de apagar. Sou eu, tão forte quanto a água.
Sou eu, que desmancho a qualquer pincelada mais brusca, a qualquer golpe talhado a transformar.
VOCÊ.
quarta-feira, outubro 11, 2006
Palavras de CHICO BUARQUE DE HOLANDA
"É claro que esse escândalo abalou o governo, abalou quem votou no Lula, abalou sobretudo o PT. Para o partido, esse escândalo é desastroso. O outro lado da moeda é que disso tudo pode surgir um partido mais correto, menos arrogante. No fundo, sempre existiu no PT a idéia de que você ou é petista ou é um calhorda. Um pouco como o PSDB acha que você ou é tucano ou é burro (risos). Agora, a crítica que se faz ao PT erra a mão. Não só ao PT, mas principalmente ao Lula. Quando a oposição vem dizer que se trata do governo mais corrupto da história do Brasil é preciso dizer ‘espera aí’. Quando aquele senador tucano canastrão diz que vai bater no Lula, dar porrada, quando chamam o Lula de vagabundo, de ignorante – aí estão errando muito a mão. Governo mais corrupto da história? Onde está o corruptômetro? É preciso investigar as coisas, sim. Tem que punir, sim. Mas vamos entender melhor as coisas. A gente sabe que a corrupção no Brasil está em toda parte. E vem agora esse pessoal do PFL, justamente ele, fazer cara de ofendido, de indignado. Não vão me comover…
Preconceito de classe
O preconceito de classe contra o Lula continua existindo – e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente para quem agride, porque o sujeito mais humilde ouve e pensa: ‘Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?’. Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! – até assassino eu já ouvi. Fizeram o diabo para impedir que o Lula fosse presidente. Inventaram plebiscito, mudaram a duração do mandato, criaram a reeleição. Finalmente, como se fosse uma concessão, deixaram Lula assumir. ‘Agora sai já daí, vagabundo!’. É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu o luxo de ocupar a Casa Grande. ‘Agora volta pra senzala!’. Eu não gostaria que fosse assim.
Eu voto no Lula! A economia não vai mudar se o presidente for um tucano. A coisa está tão atada que honestamente não vejo muita diferença entre um próximo governo Lula e um governo da oposição. Mas o país deu um passo importante elegendo Lula. Considero deseducativo o discurso em voga: ‘Tão cedo esses caras não voltam, eles não sabem fazer, não são preparados, não são poliglotas’. Acho tudo isso muito grave. Hoje eu voto no Lula. Vou votar no Alckmin? Não vou. Acredito que, apesar de a economia estar atada como está, ainda há uma margem para investir no social que o Lula tem mais condições de atender. Vai ficar devendo, claro. Já está devendo. Precisa ser cobrado. Ele dizia isso: ‘Quero ser cobrado, vocês precisam me cobrar, não quero ficar lá cercado de puxa-sacos’. Ouvi isso dele na última vez que o vi, antes dele tomar posse, num encontro aqui no Rio.
Sobre o PSOL [de Heloísa Helena] Percebo nesses grupos um rancor que é próprio dos ex: ex-petista, ex-comunista, ex-tudo. Não gosto disso, dessa gente que está muito próxima do fanatismo, que parece pertencer a uma tribo e que quando rompe sai cuspindo fogo. Eleitoralmente, se eles crescerem, vão crescer para cima do PT e eventualmente ajudar o adversário do Lula.
Papel da mídia
Não acho que a mídia tenha inventado a crise. Mas a mídia ecoa muito mais o mensalão do que fazia com aquelas histórias do Fernando Henrique, a compra de votos, as privatizações. O Fernando Henrique sempre teve uma defesa sólida na mídia, colunistas chapa-branca dispostos a defendê-lo a todo custo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais."
(Retirado da Revista CARTA CAPITAL)
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sábado, setembro 23, 2006
EDUCAÇÃO Antonio Candido inaugura biblioteca do MST e fala da força da instrução
Um dos maiores intelectuais brasileiros do século 20, Antonio Candido, homenageado em ato inaugural da biblioteca do MST, falou do poder humanizador e libertador da literatura para o trabalhador, em resposta à indução brutalizante do capitalismo, e definiu o movimento como fundamental para a transformação da sociedade brasileira.
Verena Glass - Carta Maior
SÃO PAULO – No ano passado, a biblioteca da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, uma das mais antigas do país, comemorou 180 anos com 340 mil títulos. Quando nasceu por obra do então presidente da Província de São Paulo, Lucas Antônio Monteiro de Barros, tinha 5 mil exemplares, herdados do que era até aquele momento o acervo do Mosteiro dos Franciscanos. Hoje, recebe cerca de 1,2 mil visitantes diários.
181 anos após a criação da biblioteca da Faculdade de Direito – que teve entre seus freqüentadores 11 presidentes da República –, foi inaugurada no último sábado (5), em Guararema, pequeno município a 80 km de São Paulo, a biblioteca Confraria dos Parceiros de Guararema.
Mais ambiciosa do que a irmã mais velha, a Confraria nasceu com quase 17 mil livros e deveria, na verdade, se chamar Biblioteca Antonio Candido. Assim como a outra, é um ambiente de pesquisa, estudo e leitura de um centro de educação superior, a Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST, mas deve atender, por enquanto, a cerca de 3 mil estudantes por ano, além da comunidade de Guararema.
Mas traçar um paralelo entre as duas bibliotecas – a do mais antigo e respeitado centro de formação da elite brasileira, e a do maior movimento social do país – foi apenas um preâmbulo à análise de um dos maiores intelectuais brasileiros do século 20, o crítico literário Antonio Candido, convidado pelo MST para inaugurar a biblioteca que deveria levar o seu nome (e não levou a pedido do próprio).
Alertando a audiência, que se apertava no auditório da Escola Nacional Florestan Fernandes na ensolarada tarde de sábado, que, “quase nonagenário, não posso mais dizer coisas novas”, Antonio Candido voltou a falar de um tema ao qual tem dado muito peso na última década: a humanização através da aquisição do saber.
“Humanização é o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante”, declarou no final dos anos 90, quando adotou a defesa da Literatura como direito humano.
Nesse sentido, o investimento do MST na formação cultural dos trabalhadores rurais, ao dar acesso a recursos (conhecimento) por séculos resguardados às elites, é, para Antônio Cândido, de um lado, a plenitude do processo de democratização do país, na perspectiva de que a “grande voz muda do Brasil”, os trabalhadores rurais, adquiriu peso de sujeito político com o movimento.
“O MST é chamado a desempenhar um papel fundamental na transformação da sociedade brasileira. Coordenou, desenvolveu e organizou a criação de uma voz política do trabalhador rural. A partir do MST é que a nação brasileira passa a ser totalmente representada. Um grande amigo, Caio Prado Junior, me disse uma vez: o drama do Brasil é quem fala somos nós; de esquerda ou de direita, somos sempre nós, de famílias ricas, gente que pode estudar, se alimentar. Graças ao MST isso não é mais verdade”, avalia. E completa: “me lembro de fazendeiros lá de Minas Gerais que diziam: estão querendo fazer uma escola municipal na minha terra. De jeito nenhum! Porque esse pessoal, se aprende a ler, vem discutir as contas com a gente. Pra esse fazendeiro, a humanidade é só o trabalho”.
A humanização que o acesso ao livro, a literatura, proporcionam, por outro lado, é, para Antonio Candido, outro elemento fundamental ao desenvolvimento do trabalhador. “O livro o que é? Uma vez um motorista de táxi disse ao grande [crítico de cinema] Paulo Emilio Sales Gomes: ‘livro é muito bom porque mata a fome da cabeça’. E é exatamente isso: não ter um livro é estar privado da alimentação fundamental da cabeça. A literatura tem uma força humanizadora extraordinária, seja no enredo de um conto, de um romance, o sentimento expresso em um poema...”
Quando o capitalismo se apossou do tempo da humanidade, quando criou o conceito de que ao trabalhador está reservado apenas o trabalho, e o não-trabalhar é condenável, tentou criar uma barreira de embrutecimento que dividisse a sociedade e excluísse a maior parte dela do acesso à cultura mais “refinada”. De acordo com a filosofia do capital, reflete Antonio Candido, o pobre deve se ater às formas elementares de manifestação cultural. “Folia de reis, sim; mas nada de Machado de Assis, nada de Dostoievski, de Vila-Lobos. Mas a força da instrução ligada à imaginação rompe esta dicotomia, quando diz que a literatura, a arte, são direito de todos”.
A escravidão do trabalho aliado à da ignorância, imposta às classes mais pobres, é, para o professor, um dos aspectos mais pérfidos do capital. “Acho que uma das coisas mais sinistras da história da civilização ocidental é o famoso dito atribuído a Benjamim Franklin, ‘tempo é dinheiro’. Isso é uma monstruosidade. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo; esse tempo pertence a meus afetos, é para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis: isso é o tempo. E justamente a luta pela instrução do trabalhador é a luta pela conquista do tempo como universo de realização própria. A luta pela justiça social começa por uma reivindicação do tempo: ‘eu quero aproveitar o meu tempo de forma que eu me humanize’. As bibliotecas, os livros, são uma grande necessidade de nossa vida humanizada. Portanto, parabéns ao MST pela abertura desta biblioteca, porque o amor pelo livro nos refina e nos liberta de muitas servidões”, concluiu.
Afetividade socialista
Escalado para encerrar a cerimônia de inauguração da biblioteca em nome da coordenação nacional do MST, João Pedro Stedile embarcou na corrente do convidado e, ao invés de listar agradecimentos a todos os colaboradores do projeto, discorreu sobre o que chamou de “afetividade socialista”, o mutirão que unificou trabalhadores do movimento, estudantes, intelectuais, professores universitários, voluntários internacionais e outros amigos em torno do projeto da escola e da biblioteca, ambos parte da estratégia mais ampla de formação e “educação dos trabalhadores brasileiros”.
“Essa escola quer ser um símbolo da afetividade socialista, ela é fruto disso. Só estamos aqui porque milhares de pessoas ajudaram. E já que não teremos nome para essa biblioteca, me permita, professor Antônio Cândido, declaro fundada a Confraria dos Parceiros de Guararema”, concluiu Stedile.
Serviço
A biblioteca da Escola Nacional Florestan Fernandes deve ser o principal espaço de pesquisa e estudo dos alunos da instituição, tanto os que freqüentam os cursos formais - Gestão em Administração de Empresas Sociais, e Especialização em Educação do Campo e Desenvolvimento – quanto os dos cerca de 20 cursos de curta duração. Tem capacidade para 38 mil exemplares, e conta atualmente com 16 mil livros catalogados e quase mil a espera de catalogação, em áreas como ciências sociais e políticas, economia, ciências agrárias, filosofia, religião, literatura etc. O espaço também terá uma discoteca e uma videoteca.
Segundo a coordenação da biblioteca, todos os livros foram doados, tanto por particulares quanto por universidades e outras instituições, mas várias áreas, principalmente ciências agrárias, filosofia, história e literatura estão deficitárias.
Os interessados em doar livros – que deverão ser levados à secretaria nacional do Movimento, em São Paulo -, podem entrar em contato com a EscolaNacional Florestan Fernandes, tel. (11) 4693-5357, ou ligar para a secretaria do MST, tel. (11) 3361-3866.
sexta-feira, setembro 22, 2006
COME IN ALONE
Ávida estou. Percebendo nuances, observando em silêncio... É preciso.
Na verdade, espero, planejo a glória. Será que vem?
Não sei.
Cada dia é dia. E percebo isso...
Hoje, senti o quanto a PALAVRA tem poder (no início tudo era o Verbo>>>).
O quanto existem pessoas que precisam de nós, CLICHÊS SÃO NECESSÁRIOS..... O quanto necessitamos parar, ouvir e falar. SOZINHOS NÃO SOMOS NADA.
quarta-feira, agosto 30, 2006
Último Dia

Pessoas que "aparentavam" algo, mas que num olhar mais cuidadoso, numa conversa gostosa e despretensiosa, mostraram-se felizes, suficientes, admiráveis. Outras, nem tanto. Mas, e daí?
De início, fiquei um pouco assustada , até mesmo com o tom de voz que "teria" de adotar a partir desse dia, mas depois...acabou virando um "já era", inserido em meu contexto de vida. Pensei mesmo que minhas crenças estivessem utópicas demais. Mas, hoje percebi que não. NINGUÉM É IGUAL A NINGUÉM. VOU SENTIR MUITA FALTA DAQUELAS COISINHAS EM EBULIÇÃO. VALEU MUITO.
OBS.: Hoje, os alunos da sala mais "visada" no quesito COMPORTAMENTO, começou a gritar em coro: "Fica! Fica! Fica! Fica!" e ainda disseram que iam fazer um abaixo-assinado pra eu ficar na escola. Desculpa aê, mas é demais!!!!!!!!!!!!
quinta-feira, agosto 24, 2006
Afônica
Bonito nome... Mas, é terrível ficar sem voz!!!!É um pouco chato, pois a minha função era extamente substituir uma professora que está de licença e não deixar os alunos sem conteúdo. Que coisa...
Mas, é sério, eu até o momento, não consigo proferir palavra de maneira nítida e fico tossindo sem parar. Imagine em sala de aula, orientando alunos que consideram o fim do mundo "ficar sentado por 3 minutos"???
Fui ao meu médico antes de ontem e ele me deu um atestado de dois dias de descanso domiciliar. E eu pensei : "Oh, Deus, não..." Pois, como sou Contrato Temporário temi por minha cabeça... No dia seguinte (ainda de atestado), fui à escola e pensei que talvez, sei lá, pudesse, de repente, assim como quem não quer nada... ficar calada em sala e mandar tarefas na cabeça dos alunos. Mas, fui falar com a Diretora e ela me disse: "O que que vc tá fazendo aqui? Vc tá de atestado! Nem deveria ter vindo!" Bom, como isso veio da boca dela, fiquei aliviada. Só que antes de eu sair... : "Ó, vc vai ter que trocar esse atestado do seu médico, pelo atestado da Secretaria de Educação. É um papelzinho amarelo." Como? - "Ah, faz assim, é lá na Asa Norte perto não sei do quê, vc vira não sei onde blá blá blá-blá blá blá. Por quê? "É procedimento do órgão. Pega o papel de inspeção médica e vc vai ter que passar pela avaliação do médico da Secretaria de Educação". Tudo bem. Saí da escola direto pro tal SAMO. Só que chegando lá, por volta das 10:30, a recepcionista disse que eu teria que entregar também a cópia do meu Contrato, era obrigatório. detalhe: ninguém me disse nada. Com muita raiva, saí e decidi ir para casa (haja dinheiro!).
Depois de quase duas horas tentando falar com a Regional de Ensino que me contratou, a atendente me disse que eu poderia pegar a tal cópia lá mesmo. Mais um detalhe: eu teria que voltar para o Paranoá, que é onde fica a Regional, perto da escola e isso levaria pelo menos uma hora. Andando e cantando muitos mantras (ha-ha-ha), peguei a cópia e fui de novo para a fila de inpeção médica. Detalhe nº 3: eu estava de atestado, o meu médico me receitou além de remédios, DESCANSO DOMICILIAR e FALAR O MENOS POSSÍVEL. Só que eu tinha que falar mais do que o de costume, pois tinha que explicar o quanto estava afônica!!! Piada mesmo.
Depois de preencher muitos formulários e aguardar por uns 40 minutos a minha vez (professor fica doente à beça), fui chamada pela médica. Quando entrei no consultório, comecei a mesma ladainha que tinha que explicar a todos que se aproximavam de mim e perguntavam por que não tinha ido trabalhar,e então ela disse: "Mas, esse seu atestado é de somente dois dias?" É. "Mas, vc ainda está muito rouca." Por que será... "Bom, eu vou fazer o seguinte, vou te dar mais um dia de atestado e vc volta ao trabalho no dia 25." Não...não...não faça isso...
Fez. Pegou "o papelzinho amarelo", passou o canetão e o carimbo dela e ainda disse que eu, como professora não deveria trabalhar daquele jeito (sem voz). E eu, com meu sorrizinho amarelo...Ah, obrigada...(pensando nos comentários do pessoal da escola, dos meus alunos, minha cabeça rolando...)
Resumo da ópera: mais um dia de atestado (hoje, 25), morrendo de vergonha da diretora, querendo trabalhar (de uma certa forma...) e amanhã é minha folga. Logo, só volto pra escola com o papelzinho amarelo pra entregar, na segunda, dia 28. Eu juro que não fui eu!!!!
domingo, agosto 20, 2006
La Marche de L'Empereur
Recomendo este documentário francês. Em meio a uma aula de francês, com cadeiras amontoadas e os restos mortais de meus neurônios que desmaiavam de cansaço, emocionei-me. Fantástico.Eis a Sinopse:
Na Antártida, em todo mês de março, centenas de pingüins fazem uma jornada de milhares de milhas de distância pelo continente a pé, enfrentando animais ferozes, temperaturas frias, ventos congelantes, através das águas profundas e traiçoeiras. Tudo para encontrar o amor verdadeiro.
Em um cenário de gelo desértico, surge uma bela história da natureza que se repete há milênios e da qual depende a manutenção da espécie: a marcha de milhares de pingüins imperadores em busca do par perfeito.
Por instinto, enfileirados aos montes, machos e fêmeas deixam seu habitat natural em direção ao deserto gelado da Antártica em uma maratona de bravura e sobrevivência até realizar seu ritual de acasalamento.
O documentário mostra a inversão de papéis entre pingüins machos e fêmeas, onde o casal se separa após um breve tempo suficiente para a fecundação. A fêmea deixa o ovo para ser chocado pelo macho, enquanto retorna para o mar em busca de alimento.
Meses se passam e os pingüins machos têm a árdua tarefa de aquecer e proteger o rebento, à espera do retorno de suas fêmeas. A nova família de pingüins terá que se reunir no prazo máximo de 48 horas para que o novo membro receba comida, caso contrário, não sobreviverá.
O reencontro com as fêmeas dá largada à corrida dos machos em direção às águas do Oceano Antártico, a marcha dos famintos. Caberá agora, às fêmeas, a tarefa de preparar os filhos para a vida adulta, até que possam se arriscar sozinhos no mar. Assim, o ciclo se fecha até chegada do próximo Outono.
A TRILHA
A Marcha dos Pingüins é a primeira experiência de Émilie Simon na criação de uma trilha sonora original. Para o trabalho, ela contou com a contribuição do engenheiro de som Markus Dravs, que participou de discos de artistas como Byork e Brian Eno. A trilha apresenta um som moderno e inovador e combina melodias pop e etéreas.
Título Original:
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 85 minutos
Ano de Lançamento (EUA / França): 2005
Estúdio: Le Studio Canal+ / Wild Bunch / Buena Vista International Film Production France / APC / Institut Paul-Emile Victor / Bonne Pioche / French Polar Institute / National Geographic Films
Distribuição: Buena Vista International / Warner Independent Pictures / Dowtown Filmes
Direção: Luc Jacquet
Roteiro: Michel Fessler, baseado em roteiro de Luc Jacquet
Produção: Yves Darondeau, Christophe Lioud e Emmanuel Priou
Música: Emilie Simon
Fotografia: Laurent Chalet e Jérôme Maison
Edição: Sabine Emiliani
sexta-feira, agosto 18, 2006
SECURA
Brasília, 18 de agosto de 2006.
Acordo, muuuuuiiiito cedo.
Como é muuuuuuiiito longe a escola onde dou aulas, tenho que pegar meus doizinhos onibuzinhos.
Tudo bem.
Hoje é meu dia de folga, mas dormi até as nove. Acordei com uma gripe encubada. Só que, essa tal suposta gripe me causou desconfianças. (assumo, sou um pouco louca). O Paranoá é foco mater de Hantavirose.
Respirei pó de giz, poeira de rua, barro vermelho (matéria prima!) e tudo o que qualquer pessoa em um momento de milésimo de segundo arregalaria os olhos e pensaria bem baixinho: "Será?"
Mas, foi só um momento. Os sintomas não correspondem.
Todas as manhãs e tardes têm sido angustiantemente ensolaradas e nítidas. Céu de Brigadeiro. sem UMA nuvem. As árvores ainda estão verdes, mas acredito que com os dias contados. O azul nunca foi tão azul. Nós realmente temos o nosso cartão-postal. Trabalhar à tarde então, nem se fala... Acredito mais e mais na Antropologia Ambiental (AA). O sol, ácido. Nós, verdadeiros legumes com prazo de validade, que imersos em um pote hermético, tendemos a ficar com um sabor esquisito...
Estou esquisita.




